PREMIAR RESULTADOS E
INTERNACIONALIZAR O NEGÓCIO
UMA APOSTA COMUM PARA
DIFERENTES DINÂMICAS
Encerrámos 2009 na expectativa de uma eventual recuperação no sector da Construção, patrocinada pelas grandes obras públicas previstas para 2010. Tinha sido um ano de abrandamento acentuado na área e, consequentemente, no recrutamento de grande parte dos perfis que lhe estão associados. O mercado de trabalho respondia à crise instalada do mesmo modo que a maioria das empresas do sector: travando projectos, adiando decisões e reduzindo orçamentos. À excepção das Energias Renováveis, que tem sido o sector
contra-ciclo por excelência, a quase totalidade dos perfis relacionados com Construção, Auto, Indústria e Engenharias tinha sofrido um decréscimo na procura.
A indecisão e constante adiamento dos assuntos relacionados com obras públicas ou grandes projectos acabaram por ser a marca do ano 2010, prejudicando uma hipotética recuperação do sector da Construção. Noutro sentido, o sector do retalho Automóvel apresentou uma dinâmica contrária à tendência da economia, apresentando volumes de vendas ao nível de 2007 e 2008, bastante acima dos níveis 2009.
Já a Indústria apresentou uma dinâmica interessante, apoiada pela retoma de processos de recrutamento adiados desde 2009. Não sendo este um sector extremamente dependente da performance económica nacional, acabou por beneficiar das exportações e do bom momento da Grande Distribuição, impulsionada pela retracção da Restauração.
Na generalidade e à excepção de algumas funções especializadas de Construção para empreitadas de certa complexidade, a maioria dos perfis de Engenharia não beneficiou de aumentos salariais notórios, mantendo a estabilidade dos últimos anos. Ainda assim, determinados perfis de Top Management como Directores Industriais ou Directores de Operações, pela sua senioridade e competências múltiplas de gestão, liderança e análise financeira, viram a sua polivalência recompensada a nível salarial.
A remuneração variável apresentou diferentes dinâmicas, consoante o sector. Se no mercado Automóvel é bastante comum e muito apreciada, dada a forte vertente comercial da área, no sector da Indústria só agora começa a ser implementada sob a forma de bónus anual, sendo ainda encarada com alguma desconfiança pelos agentes decisores. Já no sector da Construção, são muito raras as componentes variáveis no pacote salarial oferecido pelos empregadores.
Construção e Imobiliário
Perante a incerteza relativa às obras Públicas, o mercado da Construção e Imobiliário
apoiou-se uma vez mais na expansão e exploração de oportunidades no Continente Africano, estimulando a contratação de Directores de Obra para Vias de Comunicação e
Infra-estruturas, Directores de Obra Marítima, Encarregados, Chefes de Topografia e Engenheiros de Planeamento. No entanto, a aposta em mercados emergentes como Angola nem sempre se revelou um bom investimento. Algumas empresas têm sido lesadas com o atraso nos pagamentos, começando agora a ponderar um abrandamento da actividade neste país e procurando mercados alternativos.
A internacionalização dos processos de selecção e o aumento de oportunidades no mercado da expatriação, trouxe uma nova e reforçada importância ao conhecimento de idiomas como Inglês, Francês e, mais recentemente, Alemão. Patrocinou também uma valorização dos perfis que dominem diferentes ferramentas informáticas como SAP ou Primavera, mandatórios para o cumprimento de requisitos em empreitadas multinacionais.
Por outro lado, foram muitos os profissionais da área de Engenharia e Construção que procuraram complementar os seus quatro ou cinco anos de experiência com formação avançada na área de Gestão e Marketing, frequentando MBAs e cursos gerais de Gestão. Estes jovens profissionais começam a direccionar a sua carreira para além da vertente técnica, assumindo de forma natural a concentração de funções que os empregadores, numa lógica de redução de custos, vêm exigindo ao mercado nos últimos anos.
Pela sua escassez no mercado de trabalho, os perfis com experiência em obras marítimas, portos e marinas foram particularmente difíceis de identificar em 2010. Não sendo uma tipologia de obra que abunde em Portugal, com apenas meia dúzia de empresas na área, torna-se improvável conseguir aliciar profissionais a apostar nesta especialização.
2010 foi para o mercado imobiliário um ano de análise e definição de novas estratégias, face à queda em 2008 e 2009 e suspensão de investimento estrangeiro neste mercado, nomeadamente por parte dos países Anglo-Saxónicos.
Este período terá servido para identificar novos alvos no exterior, redefinir estratégias de Marketing e também orientar os produtos para o mercado interno que, não tendo um volume de relevo, nomeadamente nos produtos associados ao Turismo, apresenta sempre alguma dinâmica.
Este contexto foi reflectido pelo aumento de ofertas de emprego no segundo semestre de 2010 e por uma maior clarificação por parte dos empregadores em relação ao perfil, objectivos e estratégias para os quadros a recrutar.
Mercado Automóvel
Após dois anos consecutivos de estagnação e ainda sem grandes perspectivas de crescimento, o sector Auto optou por concentrar os esforços na requalificação da sua rede de oficinas. Esta modernização de meios, além de fornecer uma maior capacidade e qualidade de resposta à crescente sofisticação tecnológica dos veículos, poderá ser uma mais-valia quando o mercado conseguir finalmente engrenar a sua recuperação.
Os despedimentos do sector acabaram por incentivar a abertura de pequenos negócios por parte de profissionais desempregados. Este empreendedorismo verificou-se sobretudo fora das grandes áreas metropolitanas, onde a oferta deste tipo de serviços é mais escassa e existe uma menor probabilidade das pequenas oficinas serem ameaçadas pelos gigantes do sector.
Apesar da quebra generalizada no volume de recrutamento de profissionais do sector Auto, os perfis mais solicitados em 2010 foram distribuídos equilibradamente pelas várias áreas de especialização. Continuamos a assistir a uma procura interessante de funções técnicas e de gestão de Após-venda, de Coordenação Oficinal e de perfis de contacto directo com o público, como Vendedores e Assessores de Serviço. Estes últimos passam agora por um processo de selecção muito mais rigoroso, sendo muitos os empregadores que exigem formação superior para o desempenho da função. Num mercado saturado de profissionais licenciados, tornou-se mais fácil encontrar perfis dispostos a enveredar por uma carreira comercial, atraídos pelas perspectivas de uma boa componente variável.
As dificuldades de identificação de alguns perfis no sector passam sobretudo por não conseguir fazer chegar as ofertas de emprego ao destinatário. Tradicionalmente, os profissionais destas áreas não consultam de forma regular os meios de informação disponíveis, tornando-se particularmente desafiante dar-lhes conhecimento das oportunidades em aberto no mercado.
Indústria
Depois de um 2008 e 2009 particularmente restrito em contratação de funções de Middle Management, 2010 apresentou-se como o ano de recuperação para estruturas intermédias e mesmo para alguns quadros de Top Management. O aumento dos fluxos comerciais para os mercados da Alemanha, Inglaterra, França, China e Espanha dinamizou a produção da indústria Automóvel, Metalomecânica, de moldes, polímeros, Máquinas e Equipamentos Industriais em geral. Perfis de Supervisão de Produção, Engenharia de Processo, Qualidade e Manutenção estiveram entre os mais requisitados pelos empregadores, beneficiando das exportações e do incremento do consumo interno na Indústria Alimentar.
À medida que a procura aumenta, atingindo médias até 30% acima das registadas em anos anteriores (sobretudo na Indústria de Componentes Automóveis), escasseiam também os profissionais de Engenharia de Processo, Industrialização e Manutenção disponíveis no mercado.
Logística
O sector da Logística e Distribuição apresentou uma dinâmica semelhante a anos anteriores, com as empresas do sector a apostar na qualidade dos seus quadros como forma de optimizar processos e reduzir custos, em detrimento de um aumento do volume de efectivos, consequência de crescimento ou com vista a este.
A área de Compras continuou a ser um segmento de procura de profissionais, tanto na vertente de Compras Gerais como numa óptica mais especializada de Compradores para desenvolvimento de Procurement global. Comprar melhor é aumentar património ou recursos sem aumentar obrigatoriamente os custos e as empresas continuam a procurar melhorar os seus processos de sourcing e compras.
Ao nível dos agentes do sector logístico, continuamos a assistir a uma tendência de reforçar as áreas de vendas, investindo no aumento da quota de mercado, seja no transporte terrestre, marítimo aéreo ou gestão de transportes/transitários.
Em 2010 assistimos a uma retoma tímida das trocas comerciais globais e os agentes de transportes associados à exportação ou importação continuam a sua busca por talentos que lhes façam aumentar o volume de facturação por via da angariação de mais e melhores clientes, com superior volume de negócio.
2011
Em 2011 devemos continuar a assistir a um reforço de quadros na área Industrial, caso se mantenha o volume das exportações e da demanda do mercado interno. O sector da Construção permanece uma incógnita, estando altamente dependente de Obras Públicas como a renovação do parque escolar, o TGV e o novo aeroporto de Lisboa – estes dois últimos ainda em apreciação aquando a realização desta análise. A diversificação dos mercados, com uma aposta em países como o do Magreb e América do Sul, pode ser uma solução viável para a dinamização deste sector.
Os pacotes salariais, influenciados pela falta de dinamismo dos mercados e pelas contigências do plano de austeridade, devem manter-se inalterados, talvez com um reforço de componentes variáveis, responsabilizando cada vez mais os profissionais pelo seu próprio desempenho.
2011 será porventura o ano das “oportunidades”, para quem tiver a capacidade e audácia de arriscar e investir em contra-ciclo uma vez que, com uma tendência óbvia para a redução do consumo, haverão empresas e nichos em dificuldades, que podem ser absorvidas por empresas e grupos de maior dimensão, seja nos sectores dos Transportes, Construção ou Automóvel.
Por outro lado, a via da exportação de produtos será o caminho óbvio para o tecido industrial, havendo aqui a possibilidade da dinâmica de emprego se manter igual ou superior a 2009 e 2010, seja no recrutamento de perfis técnicos mais qualificados para cumprir com as exigências dos mercados estrangeiros, seja no investimento de perfis comerciais para os mercados de exportação, tendência que já se iniciou no final de 2009 e foi notória durante 2010.
O mesmo acontecerá com a Construção onde, apesar da Obra Pública estar praticamente estagnada em Portugal, os mercados externos tradicionais dos grandes Construtores continuam com crescimento evidente, havendo aqui a oportunidade de iniciar ou expandir a actividade fora de portas, integrados em grupos, parcerias entre empresas nacionais ou com outras Construtoras nos países em que vão investir.
