HAYS Recruiting experts worldwide

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PRINCIPAIS CONCLUSÕES

GUIA SALARIAL 2011

Esta é uma nova edição do Guia Salarial preparado pela Hays, líder mundial em recrutamento de profissionais. Vale a pena destacar que o Guia deste ano inclui o Brasil.

Os consultores da Hays realizaram mais de 48.000 entrevistas a candidatos e mais de 10.000 reuniões com empresas, a fim de obter uma perspectiva detalhada da situação do mercado de trabalho no Brasil, Portugal, Espanha e Itália.

O mercado de trabalho e seus problemas, a política de remuneração, a ânsia dos candidatos de mudar de emprego e as decisões do empregador em relação à incorporação de novos funcionários são alguns dos aspectos apresentados no Guia. Como em todos os anos, foi realizado um estudo detalhado de cada setor, no qual os perfis mais pedidos, a escala salarial e as tendências atuais no processo de recrutamento foram enumerados.

As pesquisas tiveram foco na média gerência, posições seniores e técnicas e indicaram os objetivos de cada participante, suas exigências e disposições. Foi revelado que, no Brasil, a taxa nacional de crescimento está acima dos 5%. Portanto, isso permite que 80,4% das empresas que participaram da pesquisa pensem em um possível recrutamento de funcionários este ano. A disponibilidade de mudar de país foi apontada por 82% dos brasileiros entrevistados, o que os coloca na primeira posição. A última posição é ocupada pelos italianos, com 74,3%. A Europa é considerada o lugar preferido de destino destes profissionais.

Em relação aos setores, o da saúde, em Portugal e na Itália, parece ser o menos afetado pela crise. No entanto, as características do sistema de saúde espanhol e seus déficits públicos têm impacto nos prazos de pagamento, o que se reflete em todo o setor, pois provocam menos recrutamento de funcionários e até o fechamento de certos serviços nos hospitais.

A crise econômica atinge os países europeus, enquanto o Brasil está prosperando. Ser sede da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, a maior presença de empresas multinacionais, a expansão de empresas nacionais para o exterior e os investimentos oficiais resultaram na maior demanda por profissionais de diversas especialidades e perfis com experiência educacional variada em quase todas as regiões.

Em todos os países, existe certo interesse em tecnologia. Em relação à Espanha, a atividade tecnológica é muito baixa. Na Itália, entretanto, houve um crescimento entre 5% e 10%, em comparação com o ano passado. A área de vendas e marketing pode ser considerada como o setor-chave em 2011, na qual os empregos de gerente de comunidade web, comércio eletrônico e web 2.0 são os mais requisitados.

Por outro lado, o setor de construção, na Espanha e em Portugal, está longe da recuperação. Para Portugal, a previsão não pôde ser obtida, por causa da incerteza latente no mercado e o atraso nos investimentos públicos. Já na Espanha, muitos profissionais foram obrigados a deixar o país e procurar emprego na América do Sul, América do Norte e no Sudeste Asiático.

Este Guia também cobre de forma abrangente todos os aspectos salariais, como benefícios não financeiros. O telefone celular ainda pode ser considerado como um elemento-chave. Além disso, o Guia menciona o aumento nos salários e os ganhos variáveis, cada vez mais populares nas empresas. Por exemplo, quase 100% de todos os postos executivos na Espanha têm componentes variáveis, que constituem de 15% a 50% dos pacotes salariais.

Novamente há uma influência negativa visível da política fiscal, uma vez que isso diminui o lançamento de negócios em relação ao mercado de trabalho. Em geral, menos investimentos nas políticas de recursos humanos podem ser considerados como a causa principal de um recuo na estratégia de responsabilidade social corporativa.

Por fim, é oportuno observar que o recrutamento de empregos temporários foi o menos afetado pela crise nos países analisados. Na verdade, os candidatos parecem estar mais abertos para esse tipo de contrato. Na Espanha, entre os contratados via recrutamento temporário por intermédio da Hays, 50% se tornaram parte da equipe de funcionários efetivos. A Hays, no Brasil, não opera com recrutamento para posições temporárias.

Os candidatos

Também gostaríamos de destacar algumas conclusões feitas pelos mais de 12.000 candidatos que participaram das pesquisas nesses quatro países.

Na Espanha, mais de 4.000 profissionais falaram sobre suas experiências e opiniões. Apesar de ainda estarem muito pessimistas, eles esperam uma mudança dinâmica em 2011. Da mesma forma, a maioria dos 3.300 entrevistados em Portugal e dos 2.500 na Itália foram pouco otimistas em relação à recuperação da crise global. No entanto, parecem felizes com o trabalho e consideram uma possível mudança de emprego, se esta incluir progresso na carreira.

No Brasil, 86,2% dos trabalhadores visam à mudança de seus empregos atuais.Contudo, metade dos brasileiros que participou da pesquisa não começou uma busca adequada por um novo emprego. Desses, 44,7% declararam que há boas oportunidades profissionais no mercado, enquanto 39% notaram uma recuperação econômica gradual. É interessante notar que, entre todos os países analisados, o Brasil está enfrentando a crise muito bem. Um aumento de 5% no PIB é previsto. Portanto, as perspectivas de trabalho, tanto para os candidatos quanto para os empregadores, são mais promissoras.

A situação do mercado e as perspectivas

Sobre as razões para uma mudança de emprego, 74,6% dos espanhóis não têm medo dos riscos relacionados a uma mudança profissional em tempos de instabilidade e estão procurando novos projetos, porque já alcançaram o nível mais alto de desenvolvimento profissional e de renda.

As perspectivas de desenvolvimento são consideradas como o fator principal que motiva a maioria dos candidatos, e 59,2% dos participantes da pesquisa notaram um aumento de 13% em relação ao ano passado. Da mesma forma, em Portugal, 63,4% são motivados pelo desenvolvimento, e 59,4%, pelo salário. No Brasil, 70,5% dos entrevistados procuram melhor desenvolvimento profissional e pessoal. Contudo, na Itália, apenas 9,9% pensam que o mercado está estável, e 5,6% afirmam que há boas oportunidades para melhorar as posições de trabalho. Na Espanha, 9,4% afirmam que a situação finalmente está melhorando.

Entre os principais problemas presentes no mercado, os candidatos indicaram a falta de confiança na economia; 54,3% mantêm essa ideia em Portugal, e 58,8%, na Espanha. No entanto, na Itália, a falta de confiança na economia ocupa a segunda posição, com 40,2%. O primeiro lugar é ocupado por más condições de crédito e liquidez (43,4%). A dívida nacional também está entre as razões mencionadas.

Embora seja grande o número de pessoas no Brasil interessadas em mudar de emprego, 78,7% delas recomendariam um parente ou amigo para o chefe. As porcentagens são semelhantes nos outros países: Portugal, com 69,6%; Espanha, 64,7%; e um pouco menos na Itália, com 57,6%.

Entre as formas mais eficazes e úteis para detectar novas oportunidades de trabalho, são mencionadas relações pessoais: em todos os casos, o índice foi superior a 30%. Em seguida, vêm consultorias de recrutamento, internet e contato direto com as empresas.

Em relação aos processos de recrutamento, 37% não estavam satisfeitos com a proposta de emprego, enquanto 35,4% não foram selecionados para a posição à qual se candidataram. Isso explica a alta taxa de profissionais (mais de 30%) que estão procurando um novo emprego há mais de sete meses sem sucesso. Em Portugal, esse problema afetou 66,4% das pessoas, das quais 36,8% não alcançaram seus objetivos, 27,8% não estavam interessadas e 13,6% não foram incluídas no processo.

Em relação à mobilidade, essa opção é totalmente aceita pelos candidatos na Espanha. Entre os espanhóis, 80% estão prontos para mudar de cidade. Isso é semelhante nos outros países, onde 74,3% dos profissionais estão prontos para mudar de país. Europa, América do Sul e países que falam espanhol estão entre os favoritos, enquanto África e Ásia estão na última posição.

Em Portugal, 4,7% – número igual ao de 2009 – preferem os mesmos destinos. No entanto, eles estão mais interessados no Brasil, por causa do idioma. Os profissionais brasileiros apontam: a Europa, com 85,9% da preferência; a América do Norte, com 84,6%; e 63,6% escolheriam outros países da América do Sul. No Brasil, 81,7% estão prontos para deixar o País. Na Itália, a Ásia é uma opção mais popular que a América do Sul, e o primeiro lugar é ocupado pela Europa, com 81,1%, seguido pela América do Norte com 47,8%.

Os salários, as variáveis e outros benefícios financeiros

As pesquisas mostram que há cada vez mais diferenciais nos benefícios do que nos salários ou variáveis. Os países europeus foram caracterizados pelo congelamento salarial: 59,6% em Portugal; 60,1% na Itália; e 56% na Espanha. E muito poucos receberam algum aumento. Em todos os casos, os pacotes salariais foram considerados aceitáveis. Diante da possibilidade de mudar de emprego, no Brasil, por exemplo, 55,3% não aceitariam nenhuma redução, enquanto 44,7% já aceitaram de forma a poder abraçar um novo projeto ou uma mudança de área.

A componente variável está presente de forma semelhante em todos os quatro países. Em relação à Espanha, constitui 60,3%; em Portugal, 58,7%; no Brasil, 60,8%; e, na Itália, 65%. Em Portugal e na Espanha, as realizações individuais são levadas em consideração, enquanto no Brasil e na Itália o panorama total da empresa é o mais importante. No caso de Portugal, em relação aos rendimentos não fixos, apenas para 14,6% a parcela variável consiste em 50%, e na maioria dos casos não é mais alta que 25% de todo o pacote salarial. Na Espanha, alcança 50% em 5,1% dos casos; na Itália, pode chegar à metade dos salários em 3,3% dos casos.

Entre os outros benefícios de todos os países, a primeira posição é ocupada pelo telefone celular, seguido por carro da empresa. O seguro-saúde é sempre uma medida testada e comprovada para manter um bom trabalhador.

O desempregado

O excesso foi a razão principal do desemprego nos quatro países analisados. A crise levou a um aumento de candidatos disponíveis no mercado e a uma dificuldade maior de encontrar um emprego. Na Itália, é necessário um período de três a quatro meses para encontrar um novo emprego. No entanto, há uma grande porcentagem de desempregados a longo prazo. Isso prova a teoria simples de que é mais fácil encontrar emprego novo para quem está trabalhando, e muito mais difícil quando não.

Em relação à mobilidade, as preocupações são semelhantes àquelas expressas pelos desempregados, e as redes sociais e o networking também são mencionados entre os meios de encontrar um novo emprego. O treinamento é importante para o retorno ao mundo do trabalho, bem como o conhecimento de línguas estrangeiras, especialmente o inglês, desenvolvimento de habilidades, diploma universitário e conhecimento técnico.

As empresas

A Hays conduziu mais de 2.600 pesquisas em empresas no Brasil, Espanha, Portugal e Itália. Nos países europeus, existe um otimismo visível, comparado ao ano passado, e o Brasil está sinalizando um crescimento, como foi mencionado antes.

Para 2011, as perspectivas parecem promissoras. No Brasil, 80,4% dos empregadores entrevistados estão pensando em recrutar, especialmente técnicos e gerentes, seguidos por estagiários ou perfis com pouca experiência profissional. Na Espanha, Portugal e Itália, os resultados são semelhantes: 44,6%, 44,2% e 53,1%, respectivamente. Assim como no Brasil, o processo de recrutamento é focado em postos técnicos, posições médias, e todos os países concordam em lutar contra a crise. No entanto, admitem que não possuem as ferramentas adequadas para fazê-lo.

A barreira principal para os empregadores na Espanha e em Portugal parece ser a falta de confiança na economia, enquanto na Itália é uma lei trabalhista muito rigorosa, seguida por impostos excessivos. Os outros obstáculos são as dificuldades para conseguir crédito e a falta de dinamismo no mercado de trabalho.

Os aspectos salariais

Em relação aos salários, a maioria dos empregadores manteve os benefícios financeiros para seus trabalhadores. No entanto, isso pode ser diretamente relacionado ao impasse ou até à diminuição de investimentos em recursos humanos ou nas políticas de responsabilidade social. Associados aos níveis de salário, estão os benefícios não financeiros, presentes em todos os países como a ferramenta principal para reter os bons trabalhadores. O telefone celular ocupa a primeira posição, seguido pelo seguro de vida, carro da empresa e outros benefícios, que são tratados de maneira ligeiramente diferente em cada um dos países. Na Espanha, 69,2% dos empregadores oferecem esses benefícios, mas estão longe dos empregadores portugueses, com 85,4%, e mais longe ainda do Brasil, com 92,6%, e da Itália, com 90,4%.

Os outros fatores analisados são as variáveis. Em todos os países, a maioria dos empregadores oferece uma componente variável nos salários. Esta é geralmente calculada considerando os resultados da empresa e os objetivos individuais. Entretanto, os objetivos da equipe também são avaliados. O porcentual em relação ao pacote salarial total variou entre 11% e 15%, e raramente alcançou mais de 50%.

Os pré-requisitos mais exigidos

Na Espanha e no Brasil, os empregadores exigem a habilidade de adaptação a um mercado em constante mutação, característica que é mais bem avaliada do que motivação, lealdade, capacidade de trabalhar duro e fazer várias coisas ao mesmo tempo. Contudo, em relação aos cenários em mutação, há países como Portugal, com porcentual de 66,7%; e Itália, com 70,9%. Nesses países, a motivação está em primeiro lugar.

Por exemplo, na Espanha, o perfil comercial deve ser caracterizado por conhecimento de TI, competências de gestão e liderança e conhecimento de línguas estrangeiras, listados por 77,8% dos empregadores. Além do inglês, foram citados francês, alemão, português, italiano e chinês (mandarim), que agora começa a ser uma língua requisitada.

No Brasil, o conhecimento de uma língua estrangeira é um dos problemas mais destacados pelos profissionais da Hays. É uma questão fundamental para quase 83% de todas as empresas participantes da pesquisa. Além disso, em Portugal, entre as aptidões mais importantes, são mencionados habilidade de negociação, orientação para resultados, conhecimento do mercado e competência tecnológica. Apesar de o inglês ainda liderar, a demanda pelo espanhol está aumentando.

Na Itália, é importante ter conhecimento e experiência do setor, habilidade de trabalhar em equipe, flexibilidade e honestidade, com atenção especial voltada para as línguas, que, para 76,6% dos empregadores consultados, agrega valor ao perfil do candidato.

Em todos os casos, como aconteceu em 2009, a experiência é mais importante que a formação educacional, com alto porcentual nas respostas. A Itália se destaca, com 90,3%, seguida pela Espanha, com 73,3%.

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